19 Novembro 2009
Menina dos olhos cinzas
Talvez porque os meus são diminutos, desenvolvi uma obsessão pelos olhos dos outros. Dizem que se tratam da porta da alma e, de fato, os olhares demonstram muita coisa, a começar pelo caráter. Aqueles olhos cinzas - eu achava que eram caramelo, mas ela me disse que era cinza - chamaram e pediram minha atenção. Mais ainda, eram enigmáticos.
E eu sou curioso. E eles eram dois quarto-zagueiros impenetráveis. Mesmo assim, consegui corcoviar para dentro daquela área tão retrancada e descobri ali que há muito mais do mundo e do ser humano que ninguém faz idéia. Tudo isso me fez bem.
Muito tempo passou e ainda sou surpreendido e instigado por aquele parzinho tão adorável. Existe algo de inexplicável quando eles cruzam meu caminho, ainda que vez por outra estejam banhados de lágrimas. Triste não são as lágrimas, mas quando sei que é por minha imbecilidade que elas estão ali. Por outro lado, qual não é a explosão de satisfação e felicidade quando eles sorriem mais do que qualquer boca é capaz?
Amo-te, menina dos olhos cinzas. Nesse 19 sempre tão comemorado, venho dizer que ele jamais será esquecido. Por todas as emoções, os sentimentos, fanfarronices, aventuras e confidências impublicáveis. Lembro, aliás, da promessa que fiz em 03/02/2005: "Mas eu ainda consigo um pedaço do coração dessa caminhoneira..." Modéstia à parte, tô nas quebrada, mano!
Feliz cumpleaños, Evones del Caminhones! Regalos a caminho.
18 Novembro 2009
Mão na consciência, Corinthians no coração
Quem ainda não está com o espírito armado, é mais do que a hora de se preparar para o Centenário do Sport Club Corinthians Paulista. Há algum tempo a gente vem dizendo entre os blogues amigos que 2010 será, talvez, o pior ano no que diz respeito aos ataques gratuitos, aos golpes e às tentativas de gente pequena se crescer às custas do nosso Manto Sagrado e da nossa bandeira.
Vou além e afirmo que aqueles de visão política progressista - e aqui neste espaço se discute sim política e futebol, até porque as coisas têm muita correlação - irão sofrer em dobro. A analogia entre o antilulismo (ou antipetismo e anticomunismo) ao anticorinthianismo é óbvia: são movimentos cujo foco de ataque é o mesmo - o povo - e cujos objetivos também são idênticos - defender os interesses da elite suja. Não à toa, tanto o Time quanto o Presidente das massas serão combatidos duramente pela abutraiada, invariavelmente por meio da mentira e sempre motivados pela inveja.
Para contra-atacar, precisamos basear nossas ações a partir daquelas antigas ideologias tão enfraquecidas nos últimos anos por conta da maléfica "modernidade", além de nos blindar (e ignorar) das informações vindas de fontes que não têm como único interesse o bem do Coringão. Esqueçam jornais, TVs, revistas e até frutos podres de laranjeiras plantadas na Cincinato Braga. Esqueçam os arautos da moralidade, as vozes soberanas da verdade. Vamos nos aprofundar cada vez mais no conhecimento da Nação Corinthians - e também da Nação Brasil, que neste ano abandonou sua síndrome de vira-latas -, trocando e disseminando idéias em prol do alvinegro. Uma hora ou outra, nossos gritos contra o roxo, contra o panetone, contra Prudente/MS e contra tudo que não estiver ligado às raízes corinthianas serão dominantes.
Destaco, finalmente, a nova seção do menu à esquerda deste blogue, chamada Corinthianismo, que irá reunir os textos que mais me chamarem atenção nesse sentido. Mais do que auto-explicativo, os três primeiros links são do Filipe, do AnarCorinthians, que faz um trabalho inédito e brilhante de recuperação histórica dos nossos primórdios, tão essenciais mesmo depois de cem anos de vida. O layout do troço ainda vai mudar, e tentarei deixá-lo mais participativo e abrangente.
À luta, família!
Marcadores: Corinthians
17 Novembro 2009
O que nos chama 2
Volto com uma listagem das palavras-chave mais interessantes que renderam a este espaço alguma visita pelo Google. A ferramenta de busca, aliás, me alertou para algo que já havia sido dito nessas discussões de nerd pela internet: o rankeamento de páginas - que custam às empresas uma bela grana na otimização - varia de acordo com o teu login.
Duvida? Já parou para ler aquele web clip que fica sobre o Gmail? Tem tudo a ver com o que você anda falando nas mensagens que chegam na caixa de entrada (inclusive o conteúdo das mesmas). O Google, senhores, vai dominar o mundo porque ele sabe TUDO sobre você. Lugares onde vai com freqüência, amigos que mais ou menos gosta, qual o carro você tem, o número dos seus celulares, CPFs e contas de banco. Tudo!
Mas vamos amenizar o tom apocalíptico dessa prosa com algumas pérolas que nos referenciou no último mês:
- os 2 cpfs do paulinho
- edgar alencar "sportv" (o repórter bambi ainda sofre por ter invertido, numa reportagem, o tabu no confronto direto do Corinthians com os leonores)
- "sao paulo é paulo porque paulo" download
- a vingança é prato que se come cu
- abandonada também é cantada pela roberta miranda? (???)
- assistir sentado copa 2014
- cabloco (sic) que anda de machado da macumba
- comercial da rede globo do pripri (pripri! Pripri!!!!)
- fotos do coringão com eddy do iron maiden (eddy... ¬¬)
- macumba para o peito crescer em 1 dia
- muleke zica do baile de cumbica
- no yuotuber nerga carbulosa em amarante
- pleiboi.com.br
- raphael falavigna viado (hehehehehehe)
- tiao galinha vai para a lua?
16 Novembro 2009
Eu, hein, Rosa?

Eu, hein, Rosa!
Te manca, segura essa banca, que escrupulosa!
Eu, hein, Rosa!
O meu jogo é na retranca, área muito perigosa.
Você parece que nem lembra mais de tempos atrás
A tua figura era vergonhosa
E eu me dividi querendo reconstituir
A quem hoje me vira o rosto assim
Mas eu nem me abalo
Você vai cair do cavalo
Quando precisar de mim
Eu, hein, Rosa!
Vem mansa porque a contradança é mais audaciosa
Eu, hein, Rosa!
Apelar pra ignorância é uma coisa indecorosa
Eu acho que estou é forçando demais as cordas vocais
Você não merece um dedo de prosa
E pra resumir faço questão de conferir
Se se quebra ou não um vaso ruim
Saia no pinote
Senão vai ser de camarote
Que eu vou assistir teu fim.
(João Nogueira - PC Pinheiro)
Curtas da semana curta
- O Corinthians foi novamente roubado no domingo. Mesmo no ritmo de casados e solteiros, o Corinthians anda sendo sistematicamente roubado nesse Brasileirão. Só isso eu tenho a dizer sobre outro péssimo jogo do modorrento campeonato de pontos corridos. Ao mesmo tempo, sábado tivemos um outro gol impedido contra um time minúsculo e ninguém tocou no assunto.
- Ainda sobre Corinthians, é consenso entre alguns poucos "loucos, radicais, retrógrados e inconseqüentes" (é assim que somos definidos pelos fãs da máfia juquinha) que o clima para o Centenário do ano que vem será de guerra. Seremos perseguidos, roubados e sempre contestados. Falarei sobre isso mais adiante, mas por enquanto fiquemos com a carta-base da resistência, escrita obviamente pelo Filipe.
- 18 anos depois, a Falha, naquela cara-de-pau característica, diz que FHC reconheceu seu filho fora do casamento e, num passe de mágica, transformou uma canalhice num ato heróico. Vale lembrar que o caso, mais conhecido em Brasília que telefone de puteiro, foi denunciado há quase dez anos pela Caros Amigos e ninguém repercutiu. Engraçado, hein?
- E sobre mais um desastre nas obras do governo de SP com a queda das vigas do Rouboanel, ninguém vai falar?
- Até um anão de jardim ameaça o ínfimo de dois CPFs. Santa credibilidade, Batman.
- Passei a moderar os comentários. Fakes e trollas babacas andam infestando isso aqui. Viva a liberdade de expressão!
Marcadores: Corinthians
13 Novembro 2009
O mal da liberdade de expressão
Acalmem-se. Apesar o impacto do título, este espaço não vem propor a volta da censura. Muito pelo contrário, a democratização até certo ponto exagerada que a internet proporciona é bacana, obviamente quando seguida de responsabilidade. Há, no entanto, gente muito ruim e mal-intencionada que, não se sabe o motivo, virou referência de moralidade e justiça - sobre isso, falamos aqui. Esses tipos exageram tanto nas bobagens que nos fazem chegar ao ponto de lamentar a liberdade de expressão.
No meio desse bolo de arautos da retidão, há um talzinho que todos conhecemos. Aquele com dois CPFs e cara-de-pau suficiente para, simultaneamente, ficar devendo R$13 numa locadora de vídeo e cagar regras diariamente em seu blogue. O sucesso de audiência que o alavancou para a calçada da fama, vale lembrar, se deve justamente ao fato dele ter sido outrora linkado no maior portal brasileiro, às custas do padrinho famoso.
E aí, diante de tanta insignificância, você pode se perguntar: para que gastar vela para defunto tão ínfimo? Porque, meus caros, quando insultam um amigo teu, você precisa se manifestar. O talzinho tem todo o direito de galhofar dirigentes de clubes e federações, técnicos e jogadores milionários, políticos e o escambal, mas não o de interferir na vida pessoal de um desconhecido usando a mentira como ferramenta. Os peixes grandes têm por onde se defender mais facilmente, as pessoas comuns só tem os seus para contar - e nesse contexto mora a crítica à "liberdade de expressão".
Voltemos ao escopo. Todos que se dignam a sair de casa para enxergar o mundo e descrevê-lo a partir da experiência vivida sabem que o Seo Cruz, a voz feroz do blogue Cruz de Savóia, é o Raphael, com quem tive o prazer de dividir inúmeras geladas na mesa do bar. Quem não sabe disso, não quer, não precisa ou não merece. No entanto, uma coisa é apontar o dedo na rua a quem adora um holofote e busca fama a todo custo; outra é expor, indevidamente, alguém cujo anonimato é garantido pelo cotidiano e que não deve nada a ninguém. Mas como diz minha mãe, e ela nunca erra, nem todo mundo tem caráter.
Pessoalmente, também há um sentimento de participação indireta pelos insultos desta sexta-feira 13 por conta de um comentário postado e censurado (praxe naquele espaço inóspito) nesse outro texto. Confiram:
"Claudio Disse: O seu comentário está aguardando moderação.
Novembro 13, 2009 às 10:51 am | Responder
Blogueiro Inho é beijador de mãos de Citadini e do ex-poder corrompido do Corinthians.
Nas horas vagas, brinca de ser jornalista e de inventar denúncias sem provas.
'Estranhamente', faz isso no mesmo site que teve como endereço de registro um apartamento na Cincinato Braga.
Apartamento que é freqüentado por empresários e jogadores.
Tudo isso avalizado pelo chefe da máfia, o Juquinha.
Deve ser coincidência."
Quero acreditar que o senhor Paulo Cezar Andrade Prado será ignorado solenemente pelo Terra, portal referenciado e onde trabalha (reitero que TRABALHA e faz um serviço genial, ao invés de ser bancado por um velho de gosto duvidoso) o Raphael. Fora isso, me surpreende um boçal continuar escrevendo o que escreve sem sofrer as conseqüências legais - e por que não físicas? - de suas palavras.
Termino comparando a postura dessa gentinha da máfia juquiniana da moralidade esportiva - e cito os nomes de Vitor Birner, PVC, Paulo Calçade etc. - com a daquele moleque que passa a vida a testar os limites de tolerância dos pais e, ao completar 18 anos, sai pelas ruas matando gente com seu carrão esportivo ou batendo indiscriminadamente nos outros para treinar o seu jiu-jitsu. São todos atos legitimados pela tal liberdade democrática que nos fazem engolir goela abaixo. E convenhamos: nada mais previsível a atitude, já que na riqueza de linguagem e no debate argumentativo, essas múmias não têm nem chance.
12 Novembro 2009
O que temos a aprender
O corinthiano está sem muito o que fazer nesses últimos dois meses de 2009 e, depois de uma ressaca antecipada por conta dos dois magníficos títulos no primeiro semestre, só acompanha de longe esse modorrento campeonato de pontos corridos com um sorriso no canto da boca. Tal desocupação abre espaço para pensarmos sobre o futuro e também lembrar de tirar um sarro de quem andou a duvidar da grandeza do Corinthians.
A noite da quarta-feira fez a Fiel dormir com uma sensação de felicidade, mesmo não tendo entrado em campo. Foi-se embora da Série A a imundice do Recife, aquela que renega a própria condição de brasileiro nordestino e se acha a raça ariana - qualquer semelhança com outra imundice que você conhece não é mera coincidência. Um viva dos amantes do futebol pelo rebaixamento do Ixpót, um dos clubes mais sujos e imorais deste país.
Para homenagear o bando de merdas, eis a obra:
Também tivemos uma outra alegria que, paradoxalmente, pode virar um incômodo se analisarmos a ponta da tabela. Mas isso não importa muito ao torcedor alvinegro, porque se não é o Corinthians lá, foda-se. A gente apresenta um outro jogador logo após o fim do campeonato e ninguém vai se lembrar de quem ganhou. No entanto, como por aqui se preza o respeito e ninguém caga e cospe em camisa alheia, fica a galhofa:
Disso tudo, o corinthiano deve tirar algumas lições, porque a vida não é só alegria. Teremos em 2010 uma guerra persecutória contra o nosso Centenário. Portanto, é melhor preparar o espírito de luta desde já. Esqueçam o blablablá de juiz ladrão porque eles vão nos roubar muito e o time vai jogar contra 12 adversários. Esqueçam o que os outros vão falar, mantenha o foco no Corinthians. Mantenha, também, a humildade, e não pise em cachorro morto - a não ser que o cachorro seja uma cadela rosa - para não tomar o contragolpe na mesma moeda. O rebaixamento, o MSI, o velho gagá e o roxo já deveriam ter ensinado isso para todos. A quem ainda não aprendeu, chegou a hora.
VAI CORINTHIANS!
Marcadores: Corinthians
11 Novembro 2009
99 não é igual 2009
Está na cara, é óbvio ululante que o apagão da última noite não tem nem traço daquele que, há exatos 10 anos, deixou grandes capitais sem energia elétrica. Em 1999, o país passava por uma crise sem precedentes que se disseminou principalmente nos setores de serviços básicos. Preocupado em estabilizar a moeda eleitoreira às custas do endividamento público, o governo à época se esqueceu de... governar. Uma década se passou, o operário assumiu a cadeira e até lá nos rincões do Nordeste, aquela terra esquecida pelo sul do país, há um postezinho de onde sai um fio para o sertanejo plugar sua geladeira, seu fogão e sua televisão.
Não há crise no sistema, ao contrário do que ocorreu nas últimas duas panes - houve outra em 2001, quando o governo instituiu as famigeradas cotas de gasto mensal. Atualmente, os reservatórios estão cheios e o funcionamento em cadeia evitou que, com a queda nas linhas de transmissão, a distribuição de energia não entrasse em colapso. Porém, foi tudo o que a oposição queria para iniciar nova bateria de ataques contra o governo Lula, e aí entra o fator sorte (ou azar). Além de uma pequena coincidência.
No entanto, antes de revelar essa coincidência, devo ressaltar alguns pontos que me chamaram atenção. O primeiro diz respeito aos meios de comunicação. O rádio ainda se mostra ferramenta essencial e eu louvo o trabalho da Bandeirantes, por onde acompanhei as notícias com César Sacheto, Alexandre Praetzel e Zancopé Simões. Em nenhum momento, surpreendentemente, a emissora politizou o troço, pelo menos até a hora que escutei, - logo em seguida entraria o Zé Paulo de Andrade e aí eu já não posso bancar essa afirmação. Destaco também a clareza com que tratou do assunto o Ministro de Minas e Energia Edison Lobão e o presidente de Itaipu Jorge Samek, trazendo esclarecimentos pouco mais de uma hora depois do ocorrido. Finalmente, é preciso alertar sobre a postura aproveitadora com que alguns vão querer tratar esse apagão, lembrando que em 99 e, posteriormente, em 2001, ninguém contestou o raio inexistente em Bauru (no primeiro caso) e a ingerência no racionamento compulsório de energia (no segundo).
Sem mais delongas, passemos ao dado curioso, sem nenhuma sustentação lógica aprofundada, mas que serve de arma na briga chula que esses abutres vão provocar, tudo em prol de outro golpe. Estampou o Estadão na noite de ontem, pouco antes do apagar das luzes: "Dilma sobe 4 pontos e Serra perde 4 em novo Vox Populi". É...
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Atualizando, são essas pessoas equilibradas quem vão falar os piores absurdos sobre o caso e jogar a culpa no Lula:
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Fazendo outra atualização, deixo o link do interessante debate no Blogue do Nassif, porém já adianto que eu discordo que a ocorrência de ontem seja igual a de 99. Há dez anos, o sistema estava sucateado e não era prioridade do governo. Atualmente, é até obrigação, uma vez que não priorizar a energia elétrica seria enforcar o programa Luz Para Todos.
10 Novembro 2009
Só em SP
Além das reações de nojo naturais acerca da expulsão da menina que foi ovo-acionada há duas semanas na Uniban por conta de uma saia curta, algumas ponderações marginais ficaram pendentes. Preocupou-me, antes de tudo, as críticas que começaram a pipocar sobre o ProUni, feitas inclusive por gente bastante esclarecida. Dizem, erroneamente, que o programa de inclusão ao ensino superior do governo federal é quem banca essas "universidades de esquina", lugares propícios para a ocorrência de imbecilidades. Em primeiro lugar, se há universidades de esquina, é porque elas apareceram durante o viés mercantilista do MEC na gestão da dupla FHC/Paulo Renato. Foi a administração do monarca tucano que instituiu as fábricas de diplomas financiados durante 4 anos, não levando em conta projetos pedagógicos, qualificação de corpo docente e todas aquelas preocupações básicas com a Educação. Em contraposição, o ProUni não dá dinheiro às faculdades diretamente, mas sim banca o acesso a quem jamais sonharia em pisar numa universidade. São duas situações bem distintas. Segundo que foi na Medicina da USP onde mataram um chinês na festa de recepção de calouros.
Quanto à postura dos alunos da Uniban diante de uma menina sem noção, é inegável que só num lugar como SP (e aqui me refiro ao Estado, já que a balbúrdia aconteceu em SBC) esse tipo de atitude ainda seja comum. Qual o problema de alguém - sem a mínima noção do ridículo, diga-se - sair pela rua (mal)vestida do jeito que quiser? Sobre as roupas, cabelos e maquiagens dos emos, por exemplo, ninguém fala nada...
Me formei não muito tempo atrás, mais precisamente em 2003, e na minha época (isso é uma expressão de quem já sente o peso da idade) a gente não importunava os boca-abertas dessa maneira. Geralmente criávamos um bordão - os amigos de Cásper vão se lembrar de "Ae, Edgar!" e o pessoal do colégio certamente tem na memória o "já chegou o disco-voador" quando avistávamos nosso obeso coordenador à distância - e a zueira nunca passava dos limites. Vou além, e digo que às vezes íamos tomar cerveja com os alvos das brincadeiras.
Meu ponto, portanto, incide na decadência paulista que acabou até mesmo com as brincadeiras comuns de qualquer moleque que tenta tornar mais divertida sua trajetória acadêmica. Colar chiclete no cabelo, jogar bolinhas de papel no rego do gordinho, grudar o estojo da professora na mesa com Super Bonder e sumir com a mochila do teu amigo não têm mais a menor graça. O lance agora é promover a humilhação pública e injusta, filmar isso pelo celular e jogar o troço no Youtube. A alma e o valor ao ser humano está cada vez mais raro e isso é legitimado até mesmo por quem deveria educar (no caso, o conselho da universidade que decidiu pela expulsão da garota). Destrói-se a vida de uma pessoa sem pudores, tal qual o covarde armado que mata alguém no trânsito por conta de uma buzinada.
É cristalino que essa moça está se aproveitando da repentina fama que obteve e provavelmente vai ganhar o seu cascalho nessa brincadeira toda - se não na Playboy, talvez naquela Brasileirinhas ou um filminho com o Frota. Mesmo assim, não é possível aceitar que ainda existam tantas pessoas pensando como os babacas da Uniban, babacas esses que também podem ser encontrados na USP, Unesp, Unicamp, Cásper, ESPM, FAAP, Federais, FATECs e tantas outras instituições de ensino. Uma coisa, no entanto, não muda nunca: isso só acontece em SP.
Marcadores: riot
09 Novembro 2009
O modorrento campeonato de pontos corridos
Então estamos a quatro jogos do fim de mais uma edição do Campeonato Brasileiro por pontos corridos e eu me pego aqui pensando como é pública e notória a aversão a esse tipo de disputa por parte de qualquer torcedor que se preze. Até mesmo entre os leonores - grandes beneficiários da fórmula, já que todos os argumentos utilizados para justificar tal europeização babaca do esporte batem com as mentiras propagadas pelos bambis quanto sua "organização e modelo administrativo" - existe gente esclarecida que, apesar do desvio clubístico, gostam e defendem as coisas acontecendo da maneira mais honesta possível.
O Corinthians, por exemplo, entrou em campo no último domingo para não fazer nada. Os vagabundos resolveram, por conta disso, jogar um pouquinho de bola e, talvez, compensar os extorsivos R$30 de arquibancada que deveriam custar um sexto desse valor. Relação de mercado com a nossa razão de viver à parte, ao final da rodada a tabela nos mostra a 10 pontos do líder, o que leva qualquer corinthiano se indignar com os 11 pontos perdidos em casa de maneira imbecil e displiscente.
Vejam que, sem nenhum esforço, o Timão poderia estar hoje com uma mão na taça. De saída, isso elimina aquele negócio de "justiça" e "do melhor sempre ganha" que vendem como essencial para determinar quem é campeão. Tenho para mim que um título é a conjunção de diversos fatores e a graça do futebol é a certeza de que nem sempre o melhor vence, ressaltando também que a definição de melhor é bastante subjetiva. A partir dessa constatação, vamos usar o gol como ápice do esporte e, portanto, deveria ser fator determinante ou prioritário para estabelecer o tal melhor nos pontos corridos. Pois bem: o grêmio, até agora o melhor ataque da edição 2009 com 59 gols marcados, ocupa apenas a 9ª colocação. Onde está a justiça?
Os pontos corridos, grosso e injusto modo, são a reunião de certa casta cujo critério de seleção é o poder econômico, e seus membros se revezam nas vitórias numa espécie de política do café-com-leite que vigorou nos primeiros anos republicanos deste Brasil. Por outro lado, as finais são nada mais do que a democratização pura e simples. É a CLT, é o povo se equiparando à elite e tendo chances reais de se sobrepor pela vontade, pela raça e pela valorização da alma e seu orgulho de ser povo.
Afora a ideologia, há outras questões em jogo. O atual tri-campeão do troço vem sendo beneficiado, desde 2007, em partidas com poucos holofotes - confira os dossiês aqui e aqui. É um pênalti não marcado contra um time do nordeste aqui, um gol impedido (na verdade foram vários) contra um paranaense ali, uma expulsão não dada acolá e, quando nos damos conta, os pontos se acumulam exponencialmente na tabela. Em contraposição, se um juiz errar, propositalmente ou não, num confronto direto, ele e a referida mãe serão lembrados por décadas...
Enfim, meus caros, a fórmula modorrenta de pontos corridos é uma bela desculpinha para que a modernização nociva chegue com mais força às terras tupiniquins e se espalhe como uma praga pelo ideário do torcedor. Não vou nem apontar incoerências como a defesa e a legitimação desse tipo de disputa pela mídia golpista, ao mesmo tempo em que ela exalta Libertadores, Copa dos Campeões da Europa e Copa do Mundo, todos eles campeonatos no sistema mata-mata. Afirmo categoricamente, porém, que os malditos pontos corridos forçam times como Bahia e Santa Cruz passarem por maus bocados e avaís e barueris da vida serem louvados.
Voltando ao nosso umbigo, o corinthiano pode imaginar o time jogando o que jogou na última apresentação e chegando numa quarta-de-final justamente contra a freguesa? Como não seriam interessantes essas partidas? Pelo contrário, os pontos corridos são tão nocivos que institucionalizam o anticorinthianismo ao incentivar nossa torcida a cogitar abrir mão da vitória contra o rubro-negro carioca ou contra o galo mineiro só para evitar alegria a rivais ou inimigos.
Não seria muito mais decente se tudo isso fosse resolvido dentro das quatro linhas?
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Em tempo: tive de ler e escutar muita gente me chamando de louco por conta da indignação com a arbitragem no último clássico, principalmente no pênalti não assinalado em Dentinho que EU VI NO ESTÁDIO. Tive a calma necessária e afirmei que, apesar do assalto em Prudente/MS, não jogamos o necessário para vencer o clássico porque era preciso mais dedicação, inclusive contra o apito. Abro espaço para quem me julgou há uma semana reconhecer, primeiro, que o Corinthians fez sua parte e contribuiu e muito para que o cachorro continuasse mijando no poste e, segundo, que ditados populares são sábios: nada como um dia após o outro.
Sobre a "organização" que prometeram com os pontos corridos, o Barneschi desmente essa balela com sua corriqueira genialidade.
Marcadores: Corinthians





